7 de jan de 2019

Bandersnatch, falsa autonomia e uma playlist de 80's.

Olá, tudo bem por aí? 
                    Pra quem não me conhece, me chamo Larissa; fui dona de outros dois blogs: o Alguns Rabiscos (2014-2016) e o Ordine et Confusione (2016-2017). Depois de mais de um ano longe da blogosfera, senti falta de ter um local para interagir com novas pessoas e amizades antigas que fiz ao longo do últimos quatro anos. Não irei me estender a respeito do porquê desisti do antigo blog e nem explicando mais sobre esse, mas caso alguém, por um milagre, queira saber, pode clicar aqui. Isso está sendo um remeço bem legal para minha pessoa, então espero que sintam-se a vontade e gostem daqui e continuem a me acompanhar.

                   Recentemente, foi lançado pela rede de streaming Netflix o filme da aclamada série "Black Mirror", o Bandersnatch. O que mais impulsionou a curiosidade dos telespectadores, é o fato de ser um filme interativo, onde pode-se escolher a série de acontecimentos do filme, que terá um específico final com base em suas escolhas. Uma das reclamações de quem o assistiu, foi o fato de que, sim, podemos selecionar as escolhas ao decorrer dos episódios, porém, todas nos direcionam a certas cenas onde somos obrigados a escolher aquilo previamente estabelecido pelos produtores. Pois bem, era exatamente isso o que queriam nos passar. A premissa da série sempre foi mostrar "seres humanos x tecnologia", englobando, principalmente as consequências dessa relação, como todos ou quase aqui já devem saber. Dessa vez, não foi diferente; teve o intuito de mostrar como a tecnologia nos dá a falsa sensação de que podemos escolher o que queremos, quando, na verdade, somos direcionados a consumir coisas específicas. Pensando nessa questão, senti vontade de abrir hoje um espaço aqui para dialogarmos sobre se de fato somos autônomos ou não; e caso concordem com a ultima opção, acham possível que nos livremos do certo controle gerado pelo meio tecnológico? Vamos lá.


                    Quem fez o Enem 2018, viu que a proposta da redação foi que fosse dissertado a respeito de como nossos dados pessoais que são coletados por algorítimos em sites como YouTube, Netflix, Amazon, entre outros, servem como forma de manipulação para os usuários.
     De fato, plataformas de streaming cinematográfico como o Netflix começam a desenhar suas séries de sucesso como House of Cards rastreando o big data gerado por todos os movimentos dos usuários para analisar o que os satisfaz. O algoritmo constrói assim um universo cultural adequado e complacente com o gosto do consumidor, que pode avançar até chegar sempre a lugares reconhecíveis. Dessa forma, a filtragem de informações feita pelas redes sociais ou pelos sistemas de busca, pode moldar nossa maneira de pensar. Esse é o problema principal: a ilusão da liberdade de escolha que muitas vezes é gerada pelos algorítimos. - Daniel Verdú, O gosto na era do algorítimo.

                 
                    Particularmente, concordo com a afirmação, visto que sempre, ao entrar no YouTube, por exemplo, sou direcionada sempre aos mesmo conteúdos, que me são recomendados com base em tudo aquilo que assisto e também que pesquiso nos mecanismos de buscas. Na maioria das vezes, não me incomodo, mas acho sim prejudicial sentir-me em uma bolha, entendem? Apenas tenho acesso a tópicos, conteúdos, artigos etc. de outros nichos se livro-me da preguiça e vou pesquisar sobre. Quando decido não abrir mão da comodidade, fico a cegas de certas coisas a meu redor. "Os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca*" E vocês, o que pensam a respeito do assunto: É ou não prejudicial? Sentem-se ou já sentiram-se lesados pela coleta de dados na internet? E quanto aos que assistiram ao filme, conseguiram chegar a algum final que fizesse sentido? Juro que tentei cinco vezes, mas nenhuma deu certo.



              Realmente foi uma postagem curta, apenas para deixar o tema em aberto e interagirmos, além de esse ter servido com fim introdutório do novo blog, mas ainda essa semana pretendo trazer algum conteúdo mais elaborado. Espero que tenham se distraído por alguns minutos, um beijo e até!


* Pensamento de A. Schopenhauer, em sua obra Conselhos e Máximas.

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2 comentários

  1. eu assisti apenas um episódio de black mirror, e não gostei muito, mas por outras questões. mas achei uma ótima sacada a desse filme, não sabia!
    eu tenho pavor desses algoritmos e essa indução. a internet está indo por um caminho que não me agrada, vide eleições. o saldo desse evento é que até o meu lado político é completamente manipulado para lutar por pautas impostas. e isso da netflix, noss, capaz que eu veja o filme só para testar essa ideia.

    bem-vinda de volta!

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  2. oi larissa, como vai? seja bem-vindo de volta a blogosfera :)
    acabei vendo o filme do black mirror por causa da balburdia que fizeram pelo fato de ser um filme interativo. e é bem legal fazer as escolhas e em uma certa cena ver o personagem surtando pois alguém está controlando suas escolhas. sendo que, em diversas partes do filme, dentre as próprias escolhas somos manipulados (como você disse). assim como somos obrigados a recusar a oferta de trabalhar na produtora dos videogames para trabalhar em casa, senão, sempre ficamos abaixo da média nos "reviews" daquele homem lá ksksks e a própria cena de matar o pai do garoto também, fiquei voltando várias vezes pra evitar que isso acontecesse, e no final foi inevitável (ou seja, o que era pra ser um filme de 2 horas, virou um filme de 4, 5 horas). além disso, a curiosidade nos obriga a acessar todos os finais possíveis. seria mais interessante visualizar apenas um final com base nas escolhas que você fez no filme, uma ação específica tendo uma reação específica. acredito que a maioria viu todos os finais, porque temos essa opção. enfim, o filme é bem legal, não tinha entendido essa mensagem que ele queria passar sobre nossa relação com a tecnologia e essa sensação de liberdade para escolher.

    e só depois de ter feito o enem também que parei para pensar na coleta de dados. como você disse, é cômodo mas nos enfia numa espécie de bolha. é simples, se você pesquisa uma receita no youtube, o seu "recomendados" fica lotado disso. e, se você não e propõe a sair disso, vai ficar vendo receitas pra sempre. sem contar que a própria coleta de dados nos coloca em situação meio pavorosas, como digitar o nome de uma música no whatsapp e a música aparecer de cara no seu spotify. ou pesquisar sobre a marca de um tênis e ficar sendo recomendado àquele site de forma recorrente, com anúncios no facebook e ADs no youtube. é bizarro.

    adorei o post, é bom para refletirmos antes de clicar em "li e aceito os termos de uso".
    colored cotton

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